este espaço pode ser meu

27.09.2005

Parece que hoje é dia mundial do turismo, mas há coisas muito mais importantes a acontecer. Hoje é o 14º e com 2 anos e 1/2 era mais ou menos assim:

Pai – Maria, pode parecer estranho a muita gente, mas parece que finalmente compreendi esse teu estranho ritual de juntar objectos dentro de carteiras e sacos. Lembras-te quando te tentei explicar que a partir de certa altura teríamos que aturar a tua mãe 24 horas por dia, devido à gravidez de risco Manel que aí vinha, durante os próximos meses? E lembras-te de ter dito que no final dessa gravidez de Manel, teríamos mais 4 meses de mãe a dias? E recordas-te certamente de eu te garantir que uma mãe como a tua mãe seria incapaz de manter a barriga quieta em casa no pré-Manel e um Manel quieto em casa no pós-risco? E diz-me agora, filha minha, para onde vai uma mãe como a tua mãe, com uma filha como a filha dela – que és tu -, durante uma gravidez de Manel e após um Manel nos braços?… Eu sei que tu sabes, Maria… Diz comigo: Pingo

Maria – … Doce.

Pai – Sho

Maria – …pping.

Pai– Loja do…

Maria – … chinês!

Pai – Pois bem. Portanto, não deveria ser surpresa para mim, embora só agora o tenha compreendido, que o facto de tu neste momento carregares essas duas carteiras aos ombros, cheias até cima sei lá de quê, e esses três sacos do Pingo Doce nas mãos, atolados de legos, bonecas da barbie, peças de puzzle avulsas e outras bugigangas variadas, apenas vai de encontro ao que a tua mãe tem praticado afincadamente nos últimos meses – go shopping.

Maria – Shopping.

Pai – Exacto. Filha, eu sei muito bem que a partir do momento em que saíres desta porta até ao momento em que voltares a entrar por ela, tu não vais precisar de absolutamente nada do que está dentro dessas carteiras e desses sacos. Não vais abri-los sequer. Quanto muito, vais obrigar alguém a carregar isso por ti, porque nenhuma menina da tua idade consegue carregar essa tralha a pé, daqui até ao quiosque…

Maria – Eu consigo, pai.

Pai – Filha, nós vamos sair só os dois, e eu tenho a certeza que quando chegarmos a meio do caminho, tu vais ficar a cambalear e acabas por me pedir colo. Eu dou-te colo, mas não dou colo aos teus sacos nem às tuas carteiras. Estamos entendidos?

Maria – Sim.

Pai – Então porque é que estás a encher outro saco, enquanto falo contigo?

Maria – Porque sim.

Pai – Já ontem demorámos 3 sacos a sair de casa. Leva só a carteira cor-de-rosa e vamos embora.

Maria – Vou levar tudo tudo tudo tudo!

Pai – Ok. Então vamos fazer o seguinte. Vamos descer. Eu, tu, as tuas carteirinhas e os teus saquinhos. Seguimos até ao carro, que neste preciso está estacionado no melhor lugar da rua. Entramos no carro. Eu, tu e a tua tralha. E vamos então percorrer 500 metros de automóvel, daqui até ao quiosque, procurar um novo lugar (se houver, o que eu duvido), e largar 50 cêntimos no parvómetro, ou como raio se chama aquilo! Deixa-me perguntar-te uma coisa, minha linda. Parece-te lógico, isto?

Maria – Ãh?

Pai – Achas decente este plano B da nossa ida ao quiosque?

Maria – …

Pai – Estou a falar contigo, míuda… MARIA! O QUE É QUE TU ESTÁS A FAZER? LARGA O SACO DA ZARA IMEDIATAMENTE! O QUE É QUE TU VAIS PÔR NESSE SACO, MARIA?

Maria – Sacos.

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