este espaço pode ser meu

As palavras dos figueirenses na discussão pública do Jardim Municipal

CARLOS-VITORIA-PROPOSTA-JARDIM-MUNICIPAL

Da apresentação pública do projecto para o Jardim Municipal e Áreas Envolventes do passado dia 2 de Agosto, para além das intervenções do público no próprio dia e local, nasceram várias respostas, um alargado conjunto de questões e um apreciável número de propostas, que deveriam merecer o máximo cuidado e análise por parte da autarquia, sob pena de se cometerem alguns erros de palmatória e se esbanjarem preciosos recursos (oitecentas mil broas) para mais (ou menos) do mesmo.

Destaco estas 3 propostas/intervenções:

MOVIMENTO PARQUE VERDE








DANIEL SANTOS


O CORREDOR VERDE E A ESTRUTURA VIÁRIA

O reconhecimento da estrutura ecológica urbana constitui uma informação relevante para a correta ocupação do solo. 
Se hoje é percetível pela maioria dos cidadãos que se encontram mais informados sobre as razões da necessidade da sua preservação com vista à implementação sustentável da estrutura edificada, tal nem sempre aconteceu.
De facto, principalmente desde o século XIX, a estrutura ecológica da cidade da Figueira foi sendo sistematicamente atacada pela ocupação selvagem do território. 

Recorde-se a construção da estação do caminho de ferro que obrigou a canalizar o troço final da ribeira de Tavarede ou a construção do quarteirão da rua da Praia da Fonte que impediu a continuidade da vala das Abadias, igualmente emanilhada até à foz do Mondego. A vala de Buarcos, os rios de Cima e de Baixo em Buarcos, são outros exemplos.
Que estas “soluções” tenham sido implementadas em época de pouco conhecimento das consequências futuras é coisa que talvez se possa compreender. 

O facto é que, ainda no final dos anos sessenta e início dos anos setenta, com o espírito visionário dos engºs Coelho Jordão e Costa Redondo (Chefe dos Serviços Técnicos), a que se juntou a assessoria do arqº Alberto Pessoa, impediram-se outros erros. 
Recorde-se que, nessa época foi sistematicamente contrariada a construção da moradia que se encontra no topo norte das Abadias (hoje com aspeto de total abandono) que as facilidades que se seguiram acabaram por permitir. 
Aliás acompanhadas da aprovação dos edifícios em altura que ali se encontram e cujas caves quase não podem ser utilizadas, por se tratar de território de leito de cheia da vala das abadias. 

Ou seja, o verdadeiro “corredor verde” está bloqueado a norte e a sul, sendo o Parque de Campismo e o terreno do Horto apenas e tão só um território sobrante que apenas “compensa” a violação daquela estrutura ecológica. A vala das Abadias não vem dali.
Imaginar que é possível restabelecer aquele corredor verde das abadias é pura estultícia. 
Acresce que a Avenida Manuel Gaspar de Lemos faz hoje parte da rede viária estruturante, trazendo e levando o tráfego viário para o interior urbanizado, através das vias que ladeiam o jardim municipal.

Ou seja, na zona do jardim, as funções viárias estão em claro conflito: ao mesmo tempo que ali se encontra a fronteira da “cidade velha” com o “bairro novo”, são simultaneamente estruturantes, distribuidoras e de fruição. Seria interessante descobrir uma solução que as separe e torne claras.

Na sessão de apresentação ouvi uma proposta (a que parece ninguém ter dado atenção) que valeria a pena refletir. Seria a de levar o tráfego que entra pelo lado dos Correios e Tribunal por detrás das casas das Pestanas, dirigindo-o para a Avenida Gaspar de Lemos, reduzindo o nó de conflito que não se resolve nem com rotunda nem com a solução proposta.
– A solução agora proposta levou em conta a envolvente, considerando que, quando se estuda uma parte da cidade se deve utilizar o conceito “do geral para o particular”, que o meu professor de planeamento urbanístico não se cansava de sublinhar?
– Terão sido realizadas contagens de tráfego em época estival, quando o fluxo é mais intenso? O simples facto de a solução proposta ter mudado tão rapidamente (com rotunda, sem rotunda) indicia que tal não aconteceu. 
– A construção do coreto é prioritária ou serve apenas para cumprir uma promessa eleitoral com dez anos, apelo de saudosistas que ainda não perceberam que tudo muda na vida?

Não, com esta proposta, o “corredor verde” não vai acontecer. Nem ali, nem sequer na estrutura ecológica da Várzea, cuja margem poente já foi conquistada pelas chamadas “grandes superfícies”.

via Na Ponta da Língua


CARLOS VITÓRIA


JARDIM MUNICIPAL

Durante a apresentação pública do projecto de remodelação do Jardim Municipal e áreas envolventes, e mais tarde por escrito enviado ao município, apresentei alguns pontos que acho importantes a ter em conta neste projecto.

Não vou alongar-me a argumentar sobre a necessidade ou urgência deste projecto, que não a reconheço. Apenas relembro que o actual presidente da CMFF prometeu há 10 anos a devolução do coreto ao Jardim Municipal, um “Compromisso” renovado recentemente. Agora quer, no período de tempo de 1 mês, pôr em prática o que demorou 10 anos para cumprir.

Na minha proposta apenas me debrucei sobre dois aspectos que acho fundamentais, a criação de uma rede viária eficiente e a preservação da Calçada Portuguesa. Num projecto do tamanho do apresentado muitos outros pontos poderiam ser debatidos, mas tenho ouvido bastantes propostas, e boas, pelo que não sinto a necessidade de o fazer. Se todos contribuirmos com uma ideia de uma área distinta, facilmente poderemos ter um projecto melhor.

Temos naquele local uma rede viária centenária, sendo as vias mais recentes a Avenida Dr. Manuel Gaspar de Lemos e a Rua Calouste Gulbenkian. Devido à sua antiguidade, o aglomerado de casas entre o topo norte do Jardim Municipal e o topo sul das abadias deve ser preservado, bem como urgentemente classificado.

Na minha proposta, em vez de se continuar a usar a malha viária centenária daquele aglomerado, concebo a criação de uma via que o contorne, preservando-o e tornando todo o seu interior pedonal, ligando o arruamento que vem dos correios e tribunal à Avenida Dr. Manuel Gaspar de Lemos com um cruzamento para a Rua Calouste Gulbenkian.

Esta solução permite um melhor fluxo de trânsito, evitando os poluentes “para/arranca” dos carros, e o crescimento do jardim municipal até à “Casa das Pestanas” crescendo por entre o aglomerado urbano e valorizando os edifícios centenários que ali se encontram. Também deixaríamos de ter o caótico cruzamento que existe em frente à referida casa.

Quanto à Calçada Portuguesa, esta deve ser preservada e enriquecida. Relembro que se encontra em processo uma candidatura da Calçada Portuguesa a Património Cultural Imaterial da Humanidade (da UNESCO) à qual, na minha opinião, o Município da Figueira se devia juntar.
Recentemente temos assistido à realização de obras nos espaços públicos do nosso município que em vez de valorizar este tipo de pavimento optam pela aplicação de lajes de cimento amarelo, material que acho muito pobre e de pouca beleza estética.

A Calçada Portuguesa permite uma enorme variedade de ornamentos que a tornam extremamente rica em termos decorativos, e é algo tão Português como o Fado. Numa cidade que se diz turística duvido que os turistas tenham curiosidade em vir apreciar os grandes passeios de cimento amarelo. Mas quem é que não pensa no “calçadão de Copacabana” e lhe vem logo à memória a imagem das largas ondas em Calçada Portuguesa?

via Na Ponta da Língua

Pede-se, assim, ponderação. Não vamos tornar ainda mais silly a mais silly das estações.

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