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Cão Mundial do Dia

lucky dia mundial do cão

Ninguém me tira da cabeça que os dias mundiais de qualquer coisa, que hoje em dia acontecem todo o santo dia, seja ou não dia de santo, nasceram para safar aqueles que se sentem obrigados a escrever todos os dias sobre qualquer coisa. Se ontem foi o dia mundial do iogurte líquido com pedaços e se amanhã será o dia mundial das calças à boca de sino, hoje é o dia mundial do cão e, se me permitem, eu vou aproveitar a deixa para cumprir a minha missão diária. Isto enquanto não chega o dia mundial dos dias mundiais, tema sobre o qual terei também uma importante palavra a dizer.

Quando, nos primórdios dos anos 80, um qualquer adulto me perguntava se algum dia iria casar, respondia muito franca e secamente, como só as crianças sabem fazer: “não, prefiro ter um cão”.
E no seguimento de tão sábia resposta, como só as crianças francas e secas sabem engendrar, dirigia os melhores argumentos aos meus progenitores, numa busca inglória pelo ser de 4 patas que, supostamente, me iria salvar de um casamento.
Como se veio a verificar, os planos saíram trocados. Não só não me foi permitido adoptar um cão, como me foi dada autorização para contrair matrimónio.
Mas a vida dá muitas voltas. Algumas delas de 360 graus. E o resultado é que entretanto perdi uma esposa e ganhei um cão.


O Lucky (para os amigos, Zé Lucky Guterres, Secretário Geral da Beira Litoral) chegou durante o 2017 e na verdade – soubemos mais tarde quando observámos a coleira com mais cuidado – o seu nome era Luke e não Lucky, ficando mais ou menos explicada a razão para tanta teimosia nos primeiros tempos, ao ponto de chegarmos a pensar que o gajo era surdo.
Quando foi adoptado, desvanecera-se no tempo aquela minha vontade imensa de encontrar um amigo cão. Tratou-se mais de um acto de misericórdia pelo bicho do que propriamente a concretização de um sonho de infância. Não procurem assim, na minha pessoa, um amor incondicional por canídeos. Tê-lo-iam encontrado no início dos anos 80. Diluiu-se pelo caminho.
Hoje sou um tipo que gosta e convive com cães, desde que eles cumpram algumas regras básicas. Não me façam cócó na sala, não usem a minha cama como casota, e mantenham os dentes longe da perna alheia. Com alguns deslizes pelo caminho, a coisa vai correndo. Até para o gato, que viu o seu tranquilo dia-a-dia desmoronar-se subitamente, mas que permanece agarrado com unhas e unhas às vidas que lhe restam.

Poderia concluir, dissecando com pormenor a temática “lutem pelos vossos sonhos”. Deixo para os especialistas. Eu tenho que ir passear o cão.


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