este espaço pode ser meu

Cracas Planadoras

gliding barnacles

A minha relação com o surf baseia-se em meia dúzia de experiências que terminaram com a sensação que as actividades desportivas que apresentam lacunas ao nível do esférico não serão propriamente a minha praia.
Não esqueço a primeira vez, na qual aconteceu uma viagem em cima da prancha que pareceu uma agradável eternidade, a uma velocidade que julguei estonteante. Na verdade, foram 3 segundos em que avancei 6 metros, até mergulhar desamparado na areia de um mar alentejano de 25 centímetros de altura.
Repeti a graça por outros mares, por mais algumas vezes, sempre em decrescendo de performance, até finalmente comunicar ao mundo que chegara a hora de pendurar a prancha. Para grande decepção do mundo, imagino.

Felizmente, o mundo do surf e dos surfistas, por quem nutro uma confessável inveja – é impossível olhar para o seu estado de alma, antes, durante e depois do contacto com o mar, e não encontrar aquela sensação de satisfação e felicidade plena -, não se limita a desengonçar umas danças no mar, tendo uma prancha como intermediário entre a água e o corpo. A Figueira da Foz tem o privilégio (para quem aprecia o género) de poder contar com um conjunto de pessoas que ousou levantar junto ao mar uma panóplia de actos artísticos de variados sentidos, debaixo de um ambiente que se bate entre a tranquilidade atlântica e o reboliço urbano.

Vénia aos Gliding Barnacles pela oferta de um festival tão único. Começa hoje, pela 5ª vez.

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