este espaço pode ser meu

Visitas de Saber

palacio sotto mayor

Trabalham em investigação do património cultural e histórico. Podem preparar uma exposição, uma monografia, uma brochura ou um livro. Têm feito trabalho em todas estas áreas, mas é na dinamização do património, através de visitas guiadas, onde o seu trabalho tem sido mais visível para o público. O ano passado o Palácio Sotto Mayor voltou a entrar no roteiro turístico da Figueira da Foz e este ano o Coliseu Figueirense juntou-se à festa. A Pó de Saber, empresa responsável pela dinamização destes dois espaços emblemáticos, surgiu em Maio de 2018 pela mão de Frederica Jordão.

Foi um projecto pessoal que avançou quando compreendi que havia muitos elementos da história da Figueira que não eram conhecidos. É um projecto ligado ao património e à cultura, mas não necessariamente ao turismo, embora não lhe possa ser dissociado. Surgiu por sentirmos que a história da Figueira é muito rica e que existe muita coisa por dinamizar. Na Figueira da Foz, entre o Museu Municipal, os núcleos museológicos, o Palácio Sotto Mayor, o Coliseu Figueirense, e muitos outros espaços que existem por aí, podemos, articuladamente, criar finalmente uma imagem completa da Figueira, em termos históricos e patrimoniais.

Existe a sensação generalizada que a Figueira da Foz não tem muito para oferecer em termos históricos. Frederica discorda e não esconde o seu entusiasmo.


A Figueira é uma cidade com uma história brilhante, com indivíduos brilhantes, e esta relação que existe entre rio e mar, que parece pouco, é tudo para a Figueira.

Nós temos várias gerações que se destacaram na criação da Figueira como um espaço super atractivo. São indivíduos que estão na génese das instituições mais antigas desta cidade. A Câmara Municipal logo a partir da revolução liberal. E depois temos também a Associação Comercial, a Misericórdia, a
Obra da Figueira, o Ginásio, os empreendimentos turísticos, mais associados ao Bairro Novo, ao Coliseu. Portanto, estas gerações deram-nos aqui uma lição sobre como fazer e como aproveitar, criando uma cidade cheia de dinamismo. Uma cidade bestial! E nós? Nós somos os herdeiros disso. E a Pó de Saber surgiu por causa disso. É tão estimulante esta parte da história da Figueira que seria impossível não tentar agregar aquilo que já existe. E eu tenho sempre a sensação que nós conhecemos muito pouco sobre a Figueira.


O ano passado foi o ano zero das visitas ao Palácio Sotto Mayor. As entradas eram gratuitas, houve pessoas a repetir 4 e 5 vezes e famílias inteiras a usufruir do guião que a Pó de Saber preparou no acompanhamento das visitas. Em 2019, com entradas pagas (3€ por pessoa) havia a expectativa de perceber a aceitação do público a este novo paradigma.

Nós não sabíamos qual iria ser a reação das pessoas à cobrança de um bilhete. Os espaços e estes projectos de dinamização cultural têm custos associados. E portanto resolvemos chegar a este valor (3€), que achamos que é justo, equilibrado e que permite que as pessoas venham na mesma. E mantivemos o programa de crianças (gratuito nas manhãs de 4ª feira), que é um programa diferente. A resposta tem sido a melhor possível, estando claramente acima das expectativas. Estamos taco a taco com o número de visitas do ano passado, cerca de 6.000.

Impressionados com estes números, tentámos escavar um pouco do segredo de tão significativa adesão. Afinal, como e onde vai a Pó de Saber captar os seus públicos?

Sobretudo através dos canais de divulgação. A nossa publicidade é muito localizada. Comunicamos através dos canais específicos que têm a ver com a tauromaquia, para o caso do Coliseu. E através do turismo e dos hotéis. Nós deixamos as informações completas nos hotéis e eles têm sido uma boa fonte de captação dos nossos públicos. Para o Palácio é um bocadinho mais fácil. O Palácio promove-se a si mesmo. Em qualquer plataforma digital, está muito presente como local de atração. O ano passado, pelo facto de as visitas terem sido gratuitas e indo um bocadinho a reboque do Ano Europeu do Património, em conjunto com o facto de as pessoas estarem muito motivadas para conhecer edifícios deste género, o Palácio Sotto Mayor foi colocado na agenda de muita gente, nomeadamente de pessoas que estão ligadas a blogues de turismo e a blogues de viagens, que ficaram muito impressionadas com o edifício e nos ajudaram a fazer essa divulgação. O Palácio Sotto Mayor é um edifício espantoso. Por fora se calhar não revela a riqueza que tem por dentro, mas a partir do momento que as pessoas se apercebem do que
existe lá dentro, o Palácio faz o trabalho sozinho.

palacio sotto mayor



E os figueirenses? Frederica fala-nos um pouco sobre o papel dos figueirenses nestes programas de visitas.

Os figueirenses este ano apareceram pouco. Talvez porque já tenham feito a visita em 2018. No Coliseu o perfil de visitante é um bocadinho diferente do do Palácio. Há muitos estrangeiros, principalmente de países onde não existe a tradição tauromáquica. Sentem-se atraídos pela forma como os intervenientes se apresentam, em que se vestem de uma maneira muito diferente, e que trazem uma dimensão folclórica muito forte. Os figueirenses também ainda não nos vieram visitar ao Coliseu. É muito raro. Não sentem que haja ali muito para ver. Talvez o edifício já seja parte muito integrante da sua forma de experimentar a Figueira, não despertando assim a sua curiosidade.

O ano passado a Pó de Saber iniciou a dinamização do Palácio Sotto Mayor. Este ano arrancou com o Coliseu Figueirense. E para o ano, será que já têm outro espaço em vista?

Sim, mas ainda está no segredo dos deuses. O próximo ano já está a ser trabalhado e é ponto assente que este programa de visitas vai ser alargado. É um trabalho que tem gerado um interesse grande nas pessoas. Procuramos fazer uma investigação que passe pela história da Figueira. Ou seja, não é só mostrar. É mostrar em contexto. Penso que os públicos estão cada vez mais sensíveis, mais orientados para conhecer mais, querem perceber a origem das coisas. Estão estão cada vez mais sedentos de estímulos fortes. E para nós Pó de Saber tem sido uma agradável surpresa entender o quanto as instituições – quando têm património valorizável, histórico e edificado – têm interesse em mostrá-lo e dinamizá-lo. E tem sido uma surpresa enorme para mim. Porque eu não tinha essa percepção.

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